PARÁ DE MINAS (MG) – Hoje, dia 3 de março, a presença salesiana em Pará de Minas celebra uma efeméride de profunda relevância histórica e espiritual: o aniversário de 80 anos do início de suas atividades no Instituto Coronel Benjamim Ferreira Guimarães, carinhosamente conhecido por gerações como "Patronato". O que hoje é uma instituição consolidada nasceu de um ideal audacioso do industrial Benjamim Ferreira Guimarães, que desejava converter seu sucesso em amparo para as crianças pobres de sua terra natal. Em uma correspondência profética datada de 1943, o então Inspetor Salesiano, Pe. Orlando Chaves, já vislumbrava que a caridade ali plantada atrairia bênçãos divinas, projetando uma obra grandiosa que serviria tanto de abrigo aos órfãos quanto de berço para novas vocações religiosas.
A gênese prática dessa missão, contudo, não esperou a conclusão das imponentes estruturas de alvenaria que hoje dominam a paisagem do bairro Patafufo. No dia 3 de março de 1946, em campos ainda improvisados entre os canteiros de obras coordenados pelo Coadjutor Aldo Maia, o Oratório Festivo abriu suas portas para os primeiros 32 meninos. Aquele primeiro pátio, pulsando com a alegria típica de Dom Bosco, revelou-se um sucesso imediato; ao final daquele mesmo ano, a frequência média já havia saltado para 140 oratorianos, demonstrando que a sede da juventude local por acolhimento e educação era o verdadeiro motor da fundação. A inauguração oficial do Instituto ocorreria apenas em março do ano seguinte, já operando com oficinas e regime de internato.
Ao longo de oito décadas, o Patronato funcionou como uma verdadeira "cidade-escola", onde o aprendizado acadêmico caminhava lado a lado com a formação técnica e moral. Nas oficinas de sapataria, alfaiataria, marcenaria e padaria, os jovens aprendizes não apenas desenvolviam ofícios para a vida, mas também garantiam o sustento da própria casa. Paralelamente, a produção agrícola e a pecuária ensinavam o valor da terra, com figuras memoráveis como o Pe. Roque, que realizava experiências botânicas com sorgo, e o Pe. João Bertoldi, cuja competência técnica no pomar era tão marcante quanto sua dedicação no confessionário. Essa imersão total no trabalho e na oração formou gerações de "bons cristãos e honestos cidadãos", muitos dos quais tornaram-se sacerdotes influentes ou profissionais exemplares.
A trajetória do Instituto também foi marcada por momentos de resiliência que forjaram o caráter de sua comunidade, como a grave crise hídrica enfrentada no final da década de 50. Durante meses de seca severa, o suprimento de água entrou em colapso, obrigando alunos e salesianos a percorrerem longas distâncias para banhos coletivos no Ribeirão Paciência, mantendo a higiene pessoal com apenas uma caneca d'água distribuída criteriosamente pelo Irmão Francisco do Val. Tais desafios nunca abalaram a estima que a população de Pará de Minas nutre
pela obra, visível na denominação de ruas em homenagem a salesianos como Pe. Zanor Pedro Rosa e Pe. Newton Ambrósio, e na consagração de Dom Bosco como Patrono da Educação no município em 2003.
Hoje, sob a denominação de Centro Juvenil Salesiano São Domingos Sávio, a instituição continua a honrar seu passado enquanto se adapta às necessidades do século XXI. Atuando como uma entidade filantrópica dedicada ao fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, o Patronato oferece oficinas de informática, música, esportes, artes, judô, apoio escolar e empreendedorismo para jovens em situação de vulnerabilidade. Com o apoio da Inspetoria São João Bosco e de uma rede vibrante de ex-alunos e cooperadores, a obra chega aos seus 80 anos reafirmando-se como a "pupila dos olhos" de Pará de Minas, um farol de esperança que permanece fiel à pedagogia do amor e da presença.


