Foram publicados e estão prontos para chegar às comunidades salesianas de todo o mundo os Atos do Conselho Geral nº 448. O documento, órgão oficial de animação e comunicação para toda a Congregação, reúne, como de costume, orientações e diretrizes, normas e regulamentos aprovados pelo Reitor-Mor e por seu Conselho, além de compartilhar notícias e informações úteis em nível salesiano global. Os pontos mais significativos, no entanto, são encontrados na Carta que o XI Sucessor de Dom Bosco assina no início, contendo uma análise aprofundada da realidade atual e, sobretudo, algumas sugestões úteis para que cada salesiano siga Jesus seguindo o exemplo do Fundador.

O contexto atual e a necessidade de uma resposta salesiana convicta e autêntica

A Carta chega praticamente no final do primeiro ano de mandato do padre Fabio Attard como Reitor-Mor e, de certa forma, é fruto desse período. Fruto da experiência vivida nestes doze meses, marcados por momentos eclesiais importantes – com o fim do pontificado de Francisco e a eleição de Leão XIV – e também por “desafios imensos que devemos conhecer, viver e administrar, pois este é o nosso mundo e o mundo em que vivem os jovens e que molda sua cultura”.

Diante dessas realidades, antes de tudo, padre Attard reafirma seu apoio especial – espiritual, humano e solidário – aos Salesianos e à Família Salesiana em zonas de guerra, e exorta toda a Congregação a fazer o mesmo.

Em seguida, inicia sua reflexão a partir da passagem do Evangelho de Mateus 16,13-28, um texto em que o Senhor desenvolve, de maneira tipicamente pedagógica, um caminho de amadurecimento na fé de seus discípulos, começando com a pergunta: “Quem é que as pessoas dizem ser o Filho do Homem?”. Uma pergunta que continua atual também para os Salesianos, que, assim como Pedro, são chamados a “pensar segundo Deus”, em vez de segundo os homens, e, portanto, a viverem uma sequela de Cristo que passa pela renúncia a si mesmos e pela aceitação da própria cruz.

“Em um mundo sempre mais confuso, fragmentado e ferido por tantas lutas e guerras fratricidas, condicionado por um vocabulário e um imaginário coletivo agressivos e violentos, não temos outra escolha a não ser levar a sério a advertência que Jesus dirige a Pedro”, afirma sem meias palavras o Reitor-Mor.

Seguir Jesus, com a bússola do CG29

Para seguir concretamente os passos de Dom Bosco e seguir o Senhor, padre Attard identifica dois elementos fundamentais: a ascese, ou seja, “a liberdade interior que liberta o coração das dependências”; e a mística, “a união com Cristo crucificado e ressuscitado, do que nasce uma vida capaz de gerar frutos duradouros”.

Seguindo, então, as exortações do CG29 – assim como dos Capítulos anteriores – sobre o cuidado com a identidade salesiana, o Reitor-Mor convida a percorrer esse duplo caminho ascético e místico, em que o primeiro movimento permite ao salesiano “abandonar a pretensão do eu de ser a medida de tudo”, enquanto o segundo o leva a assumir de fato a própria cruz na vida como parte necessária da missão.

A sequela no caminho salesiano

À luz do carisma salesiano, tudo isso deve ser traduzido nas dimensões da educação e da evangelização, elementos que só podem encontrar sua convergência e unidade onde houver uma autêntica sequela de Jesus. Dessa forma, alimentado pela Palavra e pela Eucaristia – num caminho que exige adesão e renovação contínuas –, o salesiano pode realmente dar forma atual e concreta ao Sistema Preventivo de Dom Bosco, feito de Razão, Religião e Amorevolezza/bondade.

O modelo para obtê-lo ainda hoje é Dom Bosco, cuja santidade “parece simples, alegre e contagiante, mas tem suas raízes em uma entrega radical a Deus”. Como, de fato, lembra o Sucessor de Dom Bosco:

“Seu amor pelos jovens brotava da união com Deus, alimentada pela Eucaristia, pela meditação da Escritura e pela oração incessante”.

Contemplação e ação salesianas: uma mística apostólica

Se, pois, o segredo de Dom Bosco residia em sua intimidade com Deus, o passo seguinte é a transposição desse fogo interior para uma ação apostólica que abrace todos os irmãos e irmãs – especificamente os jovens e, entre eles, os mais necessitados –, mantendo sempre o olhar voltado para o alto. Daí seu famoso lema: Da mihi animas, cetera tolle, que, observa o Reitor-Mor, expressa toda “sua participação na paixão divina pela salvação do homem”.

Em conclusão, sem idealizar a vida salesiana imaginando-a como um caminho sem obstáculos – e o sonho do caramanchão de rosas serve justamente para lembrar que “a missão une a beleza da caridade aos espinhos da mortificação” – o Reitor-Mor reafirma a tripla natureza da vocação salesiana, “mística, apostólica e eclesial”, ou seja, em contato com Deus e com o mundo, para que o mundo possa experimentar a presença de Deus por meio dos Filhos de Dom Bosco.

No momento, é possível baixar o documento dos Atos do Conselho Geral n.º 448 em italiano e inglês – no final da página. Nos próximos dias, também serão disponibilizadas as outras versões linguísticas.

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