O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é uma data dedicada ao reconhecimento, à valorização e à celebração das contribuições de mulheres e meninas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Mais do que uma data, este dia convida a sociedade a refletir sobre a importância da equidade de gênero como condição essencial para o avanço científico, a justiça social e o desenvolvimento sustentável.
A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 2015, com o objetivo de incentivar a participação plena e igualitária de mulheres e meninas nas carreiras científicas e tecnológicas, historicamente marcadas por desigualdades de acesso e oportunidades. O dia 11 de fevereiro também carrega um forte simbolismo ao homenagear Marie Curie, física e química pioneira cujas descobertas revolucionaram o estudo da radioatividade e da física nuclear. Marie Curie permanece como uma das figuras mais inspiradoras da história da ciência: foi a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel e continua sendo a única pessoa a conquistar dois prêmios Nobel em áreas distintas: física e química. Seu legado ultrapassa suas descobertas científicas e representa a luta por reconhecimento, espaço e igualdade para as mulheres na ciência.
Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, as mulheres ainda permanecem sub-representadas em cargos acadêmicos, de governança, em posições de tomada de decisões e em diversas áreas estratégicas da pesquisa e da inovação. Essas desigualdades não são frutos do acaso, mas resulta de barreiras estruturais persistentes, como o preconceito inconsciente, a ausência de redes de mentoria, a limitação no acesso a financiamento e recursos, além de ambientes institucionais que, muitas vezes, não oferecem condições equitativas para o desenvolvimento das carreiras femininas.
Promover a igualdade de gênero nas áreas STEM é fundamental não apenas para corrigir injustiças históricas, mas também para estimular a curiosidade, a criatividade e a diversidade na produção do conhecimento científico. Além disso, essa promoção contribui diretamente para o enfrentamento de desigualdades sociais mais amplas, como a disparidade salarial entre homens e mulheres e a baixa representatividade feminina em setores estratégicos da sociedade.
Nesse contexto, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência se apresenta como uma oportunidade essencial para avaliar os progressos já conquistados e, ao mesmo tempo, reconhecer os desafios que ainda precisam ser enfrentados, tanto no Brasil quanto no cenário global. Incentivar meninas a seguirem carreiras científicas é um passo decisivo para a construção de um futuro mais justo e inovador.
As ações promovidas pela UNESCO reforçam esse compromisso de forma concreta. Em 2026, a celebração na sede da organização terá como tema “Da Visão ao Impacto: Redefinindo STEM para Eliminar a Disparidade de Gênero”, com foco na apresentação de soluções práticas e inclusivas, além do papel das novas tecnologias na promoção da igualdade.
Entre os aspectos centrais dessas iniciativas, destacam-se:
- O enfrentamento de barreiras estruturais, como estereótipos de gênero, assédio e desigualdade no acesso a financiamento;
- A definição de metas concretas, incluindo a criação de comitês institucionais, o lançamento de cursos especializados, a oferta de bolsas de estudo para meninas e o fortalecimento de modelos femininos inspiradores nas áreas STEM;
- O impacto global, alinhado à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com o objetivo de construir uma comunidade científica mais diversa, equitativa e representativa.
No Brasil, iniciativas como o #EDUCASTEM2030, apoiado pela UNESCO, têm contribuído para o empoderamento de meninas e jovens mulheres, ampliando o acesso à educação científica e fortalecendo trajetórias acadêmicas, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Ao reforçar essas ações, a UNESCO e seus parceiros reafirmam que a ciência só alcança todo o seu potencial quando é construída com diversidade, equidade e inclusão.
Um exemplo brasileiro que inspira o futuro
Entre os muitos exemplos que demonstram o impacto da ciência feita por mulheres no Brasil, destaca-se a trajetória da cientista Tatiana, pesquisadora brasileira cujos estudos inovadores na área da saúde têm despertado esperança para pessoas com lesão medular. Seu trabalho evidencia como o investimento em ciência, aliado à persistência e ao compromisso social, pode transformar vidas e gerar benefícios concretos para a sociedade.
Histórias como a de Tatiana reforçam a importância de criar ambientes institucionais que acolham, incentivem e valorizem mulheres cientistas, garantindo condições para que suas pesquisas avancem e cheguem à sociedade. Ao dar visibilidade a essas trajetórias, ampliam-se referências positivas para que meninas possam se reconhecer como futuras cientistas, rompendo ciclos de exclusão e desigualdade.
Para que mais meninas se tornem as cientistas do futuro, é indispensável que instituições educacionais, governos e a sociedade como um todo assumam um compromisso efetivo com a equidade e a igualdade de gênero, criando ambientes que valorizem talentos, garantam oportunidades e permitam que mulheres e meninas contribuam plenamente para o desenvolvimento do país e do mundo.
Referências ABNT formato eletrônico
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO). 2026 International Day of Women and Girls in Science. Disponível em: https://www.unesco.org/en/articles/2026-international-day-women-and-girls-science. Acesso em: fev. 2026.
AGÊNCIA BRASIL. Apenas 27% das mulheres em cursos de ciências concluíram os estudos. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-02/apenas-27-das-mulheres-em-cursos-de-ciencias-concluiram-os-estudos. Acesso em: fev. 2026.
NEXUS – Pesquisa e Inteligência de Dados. Conclusão feminina em cursos de ciências caiu quase 50% desde a pandemia. Disponível em: https://www.nexus.fsb.com.br/estudos-divulgados/conclusao-feminina-em-cursos-de-ciencias-caiu-quase-50-desde-a-pandemia/. Acesso em: fev. 2026.
UNESCO. Como Rayssa se empoderou para buscar áreas de estudo em STEM no Brasil. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/articles/como-rayssa-se-empoderou-para-buscar-areas-de-estudo-em-stem-no-brasil. Acesso em: fev. 2026.
UNESCO. EDUCASTEM2030. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/articles/educastem2030. Acesso em: fev. 2026.
FOLHA DE S.PAULO. Pesquisadora que virou esperança para vítimas de lesão medular sonha com férias de um ano. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/12/pesquisadora-que-virou-esperanca-para-vitimas-de-lesao-medular-sonha-com-ferias-de-um-ano.shtml. Acesso em: fev. 2026.


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