Em Dom Bosco, o esporte nunca foi apenas passatempo. Era pátio, encontro, alegria, educação e evangelização. Na tradição salesiana, uma bola, uma quadra, um jogo ou uma competição podem se tornar caminho de crescimento humano e espiritual, quando ajudam os jovens a descobrir valores, fortalecer vínculos e abrir o coração para Deus.
Neste mês, a intenção de oração do Papa nos ajuda a olhar para essa realidade com ainda mais profundidade: “Rezemos para que o esporte seja um instrumento de paz, encontro e diálogo entre culturas e nações, promovendo valores como o respeito, a solidariedade e a superação pessoal”. Essa intenção ilumina de modo especial a espiritualidade salesiana, pois nos recorda que o esporte pode ser muito mais que disputa: pode ser linguagem universal de fraternidade, ponte entre pessoas e povos, escola de convivência e caminho de paz.
Nesta edição do Boletim Salesiano, o esporte aparece em diferentes realidades: na trajetória de ex-alunos que chegaram ao futebol profissional, nos projetos socioesportivos que promovem inclusão, no Futebol de Rua que ensina cooperação, diálogo e respeito, nos jogos estudantis indígenas que fortalecem a cultura Yanonami, no Nordestão Salesiano, nas raízes salesianas do San Lorenzo de Almagro e até no futebol AMP da Ucrânia, que se tornou sinal de reabilitação, esperança e reconstrução para jovens feridos pela guerra. Em todos esses exemplos, aparece uma mesma convicção: o esporte, quando iluminado pelo carisma de Dom Bosco, educa, aproxima e transforma.
A espiritualidade salesiana é profundamente encarnada. Ela não separa fé e vida, oração e pátio, catequese e convivência. Por isso, o esporte se torna lugar privilegiado de formação integral. Nele, os jovens aprendem a respeitar regras, lidar com vitórias e derrotas, trabalhar em equipe, superar limites, desenvolver disciplina, cuidar do corpo, acolher as diferenças e reconhecer o valor do outro. Mais do que formar campeões, a missão salesiana quer formar “bons cristãos e honestos cidadãos”.
O esporte também nos recorda que ninguém cresce sozinho. Cada partida exige colaboração, escuta, confiança e espírito de equipe. Essa é uma bela imagem da vida cristã. Também na fé caminhamos juntos. No pátio salesiano, o jogo pode se tornar oração quando é vivido com alegria, respeito e gratidão. Pode se tornar evangelização quando cria um ambiente onde os jovens se sentem acolhidos, amados e acompanhados. Pode se tornar missão quando abre oportunidades para quem vive em situação de vulnerabilidade, violência, exclusão ou sofrimento.
Neste mês, ao contemplarmos tantas experiências esportivas salesianas, somos convidados a redescobrir o valor educativo do pátio. Onde há jovens, alegria, amizade, movimento e presença amorosa, ali também pode florescer a espiritualidade de Dom Bosco. E neste tempo em que os olhos de todo o globo se voltam para a Copa do Mundo de Futebol, somos chamados a recordar que a bola que rola nos gramados pode também nos ensinar a construir pontes, respeitar as diferenças, superar limites e celebrar a fraternidade entre povos e nações. Afinal, para nós, salesianos, o esporte não é apenas competição: é escola de vida, instrumento de paz, caminho de santidade cotidiana e sinal concreto de esperança.
P. Tarcizio Paulo Odelli, SDB
Diretor do Boletim Salesiano – Brasil
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