Na boa-noite dirigida aos membros dos Conselhos Gerais SDB e FMA, reunidos em 22 de julho de 2026 na Sede Central Salesiana, o Reitor-Mor, P. Fabio Attard, propôs uma profunda reflexão sobre o significado de seguir Cristo na vida consagrada hoje.

Partindo do diálogo evangélico entre Jesus e Pedro – quando o apóstolo, depois de proclamar a messianidade de Cristo, o repreende por ter anunciado a própria paixão, recebendo em resposta o convite a “renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo” –, P. Attard convidou a todos a se perguntarem o que significa concretamente viver essa sequela no presente.

O Reitor-Mor recordou o ensinamento do Papa Francisco sobre a conversão pastoral, lembrando que ela não pode existir sem uma prévia conversão pessoal: não se trata primariamente de mudar métodos, mas de converter o coração do pastor. Daí o desafio, constatado também nos relatórios das visitas inspetoriais, de comunidades em que a vida corre o risco de se tornar “um conjunto de individualismos”, com a falta da alegria de estar entre os jovens, de escutá-los e acompanhá-los no pátio.

P. Attard convidou os conselheiros a reconhecer as muitas dependências que ameaçam a liberdade interior – não apenas as digitais, mas também amizades tóxicas e relações não libertadoras –, sublinhando que é inútil preocupar-se com os jovens se, antes de tudo, não se estiver empenhado numa verdadeira conversão pessoal, com o Senhor no centro, renunciando à autorreferencialidade. Advertiu ainda contra uma “mundanidade pastoral”, que transforma o serviço pastoral numa busca de gratificação e reconhecimento pessoal.

Recordando o sonho do caramanchão de rosas, escrito por Dom Bosco já em 1847 – apenas no segundo ano de sua presença em Valdocco –, o Reitor-Mor lembrou como o fundador havia compreendido desde o início que a vida consagrada em favor do bem dos jovens comporta a dimensão da cruz: “Trata-se de cruz, não de um passeio. É o caminho para o Calvário”. Se essa dimensão for esquecida ou não assumida, acrescentou, corre-se o risco de causar dano aos jovens, à missão da Congregação e do Instituto.

P. Attard concluiu recordando a promessa de Dom Bosco de um futuro extraordinário para a Congregação, com uma única condição: a fidelidade às Constituições, ou seja, ao Evangelho tal como foi transmitido e traduzido nas Constituições. Convidou a ter a coragem de carregar a cruz com liberdade e autenticidade, “porque os jovens estão nos esperando, e o futuro existe: cabe a nós garantir que ele aconteça”.

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