Prossegue a Viagem Apostólica do Papa Leão XIV à Espanha. Já em Barcelona, o Pontífice iniciou imediatamente o intenso programa de compromissos previstos para a etapa catalã. O terceiro Papa a visitar o país encerrou o dia 10 de junho com uma Concelebração litúrgica na ‘Sagrada Família’, no marco dos 100 anos da morte de Antoni Gaudì, e com a expressiva inauguração da Torre de Jesus Cristo.
Antes de chegar à Sagrada Família, o Papa Leão XIV visitou o centro penitenciário Brians 1 e rezou o terço na Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, complexo beneditino situado a cerca de 50 km de Barcelona que abriga a imagem da Virgem de Montserrat, também chamada La Moreneta, proclamada Padroeira da Catalunha em 1881 pelo Papa Leão XIII. Em seguida, participou de um encontro com as Realidades de caridade e assistência, da Diocese, na Igreja de Santo Agostinho.
Dali, o Pontífice dirigiu-se à Sagrada Família, onde “tudo é providencial”, como costumava dizer Antoni Gaudì, “Arquiteto de Deus”. A expressão descreve bem a alma dessa imponente obra com suas 18 torres, verdadeira catequese em forma de arquitetura, expressão de uma Fé que se torna ‘pedra e forma’, ‘traço e cor’, ‘luz e profundidade do espaço’.
Durante a missa, o Papa Leão XIV voltou a lançar um apelo pela paz e pela acolhida, sublinhando que “não podemos crer em Jesus e fazer guerra. Não podemos crer em Jesus e matar inocentes. Não podemos crer em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria”(homilia).
Em seguida, ao saudar o Rei Felipe VI e a Rainha Letícia, que o acolheram juntamente com o Primeiro-Ministro espanhol Pedro Sánchez e demais Autoridades (civis e eclesiásticas), o Papa disse que a Basílica abre “suas portas como braços estendidos para convidar a todos a este Altar, à escuta da Palavra de Deus, que nos constitui Família amada do Senhor, alimentada por sua própria vida na Eucaristia”. Na ‘ciutat comtal’ de Barcelona, toda a Catalunha ergue o olhar para encontrar - neste templo “sinal de unidade e de concórdia” - o Rosto de Deus.
Após a Missa, o Papa Leão XIV deu início à inauguração da Torre de Jesus, nova estrutura que torna a Sagrada Família «a igreja mais alta do mundo», com 172,5 metros. O marco, no entanto, não quer ser sinal de competição, mas um referencial espiritual numa Sociedade marcada por um crescente secularismo.
O projeto foi apresentado por Valentina, uma criança cega, uma das presenças mais marcantes do evento. Ela explicou ao Papa sua experiência de “ver” a torre ao tocá-la, descrevendo suas sensações a partir de uma maquete da estrutura.
A iniciativa partiu da ONCE (Organización Nacional de Ciegos de España), referência na Espanha no apoio a pessoas com deficiência visual. Convidada pela Rainha a descrever o projeto arquitetônico, a menina percorreu a maquete com um movimento ascendente e apresentou seus detalhes, destacando as inspirações de Gaudì.
Ao final da Missa, a Procissão dos C oncelebrantes seguiu em direção à tribuna externa pela escadaria da fachada da Natividade, voltada para o Leste, o Sol nascente. Dali, a partir dessa perspectiva que expressa a alegria da vida, foi possível contemplar um espetáculo de beleza singular. Cerca de 120 mil pessoas acompanharam nas áreas ao redor e ao longo do percurso por meio de telões, enquanto 9 mil Fiéis participaram da Missa no interior e no exterior da Basílica. De uma plataforma diante da tribuna, na presença das principais autoridades, o Papa abençoou - oficialmente - a torre, onde, no interior da cruz, está suspenso o Agnus Dei, obra do escultor italiano Andrea Mastrovito.
De Barcelona, o Pontífice seguirá agora para as Canárias, última etapa de sua viagem. Trata-se de um destino fortemente desejado pelo Papa Leão XIV, que pretende manifestar proximidade às populações dessas ilhas que, de destino turístico por excelência, tornaram-se nos últimos cinco anos cenário de tragédias migratórias com a chegada de milhares de pessoas pela chamada “Rota Atlântica”.



