Ao caminhar pelo espaço onde viveu parte da adolescência, Elaine Itacarambi reconheceu as árvores plantadas pelas mãos do pai, José Francisco Itacarambi. O reencontro despertou a memória de um homem conhecido pelo cuidado, pelo zelo e pela forma acolhedora com que tratava as pessoas.
Zezão, como era carinhosamente chamado, cultivava hortas e árvores, mas também cultivava relações. Quem conviveu com ele recorda sua presença e a capacidade de fazer com que cada pessoa se sentisse acolhida.
Para compreender a emoção daquele momento, é preciso voltar alguns anos.
Baiana de nascimento, Elaine conheceu o CESAM durante uma viagem de férias a Brasília. A visita à unidade de Ceilândia mudou os rumos da família. Eles decidiram permanecer na capital, e José Francisco passou a integrar a equipe de educadores salesianos do CESAM, onde dedicou muitos anos à missão educativa.
Foi nesse ambiente que Elaine, por volta dos 15 anos, ingressou no CESAM como adolescente trabalhadora. Desde o início, demonstrava uma característica que acompanharia toda a sua trajetória: a liderança.
“Uma das experiências que mais marcou a minha trajetória foi a participação nos grupos juvenis. Ali eu aprendi a liderar, a trabalhar em equipe, a ouvir as pessoas e a assumir responsabilidades.”
Ela também recorda, com bom humor, sua disposição para reivindicar direitos.
“Eu brigava pelo vale-transporte que ainda não tinha sido recebido e sempre procurava dialogar e buscar soluções. Na época, eu não imaginava, mas essas atitudes já revelavam uma característica que se tornou parte da minha vida profissional.”
Após concluir o Programa de Aprendizagem, em 2006, Elaine foi convidada a integrar a equipe do CESAM. Passou por diferentes setores da instituição, ampliou seu repertório profissional e encontrou o caminho que definiria sua carreira.
“Foi no CESAM que me formei como assistente social e iniciei minha carreira profissional de fato.”
Hoje, como articuladora social, Elaine acompanha famílias, fortalece redes de proteção e atua na promoção dos direitos de crianças e adolescentes. A liderança que surgiu ainda na adolescência encontrou direção, formação e propósito.
Ao olhar para trás, ela reconhece o papel decisivo da aprendizagem em sua vida.
“O Programa de Aprendizagem me deu direção. Foi no CESAM que descobri meu propósito. A liderança que começou na adolescência encontrou formação, responsabilidade e compromisso com a missão salesiana.”
Quando fala do CESAM, Elaine não separa sua própria história da história de sua família. A mudança para Brasília, a atuação do pai como educador salesiano, a experiência como aprendiz, a formação em Serviço Social e o trabalho que realiza atualmente fazem parte de uma mesma trajetória construída ao longo dos anos.
“Aqui eu construí e construo a minha história, não só a minha, mas a da minha família. Aqui eu vivenciei e vivencio os melhores momentos da minha vida. Isso aqui vai para além de um contrato de trabalho.”
Um convite para seguir adiante
Para os jovens que hoje participam do Programa de Aprendizagem, Elaine deixa um conselho direto:
“Aproveitem cada oportunidade que o CESAM oferece. Estudem, participem, façam perguntas, assumam responsabilidades e não tenham medo de sonhar. Eu entrei no CESAM como adolescente trabalhadora e nunca imaginei que um dia estaria aqui como articuladora social. A diferença foi que eu escolhi seguir adiante, me preparar e acreditar que poderia construir um projeto de vida.”
Ela conclui com uma frase que resume sua trajetória:
“O CESAM abriu portas, mas eu precisei atravessá-las. Não esperem que o futuro aconteça. Construam o futuro de vocês com dedicação, coragem e propósito.”
Raízes que continuam dando frutos
Ao revisitar o lugar onde tudo começou, Elaine encontrou as bananeiras plantadas por José Francisco Itacarambi e percebeu que algumas raízes continuam produzindo frutos.
O cuidado que marcou a vida do pai permanece presente na forma como ela acolhe famílias, orienta jovens e contribui para que outras pessoas construam seus próprios projetos de vida.
A adolescente que chegou ao CESAM durante uma viagem de férias tornou-se uma educadora salesiana que escolheu permanecer, crescer e dedicar sua vida à missão de Dom Bosco.
Você também tem uma história vivida com os Salesianos?
Pode ser uma lembrança da infância, uma experiência como aprendiz, educador, colaborador ou voluntário, ou simplesmente um momento em que a presença salesiana transformou sua trajetória.
Sua história também faz parte da nossa história. Compartilhe suas memórias e ajude a manter vivas as raízes de uma missão que continua dando frutos.
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