No dia 24 de junho de 2026, celebra-se o 75º aniversário da canonização de Maria Domingas Mazzarello, Cofundadora, com Dom Bosco, do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA). Ela foi proclamada ‘santa’ pelo Papa Pio XII em 24 de junho de 1951, em Roma, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, juntamente com outra educadora canonizada, Emilia de Vialar, fundadora do Instituto das Irmãs de São José da Aparição.
Na exortação apostólica Gaudete et Exsultate, o Papa Francisco recorda o “chamado à santidade que o Senhor dirige a cada pessoa”, expresso em diferentes formas de testemunho. “Entre essas formas, quero destacar que também o ‘gênio feminino’ se manifesta em estilos femininos de santidade, indispensáveis para refletir a santidade de Deus neste mundo” (n. 12).
A Ir. Eliane Anschau Petri, Coordenadora do Curso de Espiritualidade do Instituto das FMA, aprofunda a experiência espiritual de Santa Maria Domingas Mazzarello em sua pesquisa sobre os testemunhos do processo canônico, publicada no volume “A santidade de Maria Domingas Mazzarello. Hermenêutica teológica dos testemunhos nos processos de beatificação e canonização” (Roma, LAS, 2018). A autora destaca diferentes dimensões da sua santidade, que ajudam a compreender melhor a santa de Mornese e a atualidade de seu legado espiritual:
“Com a canonização dos santos, a Igreja propõe aos fiéis modelos de santidade. Nesse sentido, apresenta os santos canonizados também como mestres de vida espiritual. Mas nem todos o são do mesmo modo. Maria Domingas se apresenta como mestra de vida espiritual pela própria vida e pela simplicidade de sua existência”.
Uma das características mais marcantes de sua santidade, destacada pela Ir. Anschau Petri no sexto capítulo da obra, é a forte dimensão feminina e mariana:
“Maria Domingas, como tantas outras mulheres santas, enriquece a santidade da Igreja com sua particular santidade feminina. Uma de suas nuances deriva da própria condição de mulher, que é ontologicamente mãe. Sua santidade, portanto, tem tonalidade materna, marcada por doçura e firmeza, compreensão, capacidade de perdão, ternura e afeto, além do cuidado pela vida”.
Os testemunhos do processo confirmam esse traço: ela se fazia “tudo para todos” e amava a todos com um amor verdadeiramente materno. O carisma feminino da geração de vida se expressa plenamente em sua vida consagrada e em sua missão educativa. Maria Domingas foi mãe, irmã entre as irmãs e educadora prudente e sábia, conduzindo irmãs e jovens a Deus. Em sua vida, tornou-se geradora de vida.
A santidade feminina encontra seu modelo na figura de Nossa Senhora, a Imaculada, a “cheia de graça”, modelo de todo cristão e de modo especial da mulher. A vida de Maria Domingas Mazzarello está profundamente marcada por seu amor filial a Maria. Toda a sua existência foi um caminho de crescente configuração à Virgem, mãe e educadora dos santos.
Desde jovem, Maria Domingas encontrou em Maria inspiração, auxílio e modelo no caminho de testemunho da fé, da esperança e da caridade. Filha de Maria Imaculada e de Maria Auxiliadora, e mãe do Instituto, viveu com intensidade essa identidade de filha, mãe e irmã, sustentada por um profundo itinerário mariano de configuração a Maria, Mãe de Jesus, da Igreja e de cada Fiel.
Nossa Senhora foi sua formadora, educadora, guia. Por meio de uma condução próxima e constante, Maria a acompanhou no amadurecimento de sua vocação como mulher consagrada.
Maria Domingas colocou-se como discípula dócil e atenta na escola de Maria, tornando-se mãe de todos os que lhe foram confiados e testemunha credível de santidade, vivendo com coragem e radicalidade o seguimento de Jesus.
No momento da morte, Maria se torna presença consoladora e serena. Maria Domingas encerra sua existência terrena com um cântico de louvor àquela que a acompanhou no caminho da santidade: “Quero amar Maria, quero lhe dar o coração. Quem ama a Maria será feliz”. Parte confiando-se novamente a Ela, certa de que quem pertence inteiramente a Maria pertence inteiramente a Jesus”.
A Bula de Canonização da Madre Mazzarello conclui com uma exortação dirigida a todos, especialmente às Filhas de Maria Auxiliadora, incentivando um caminho de santidade “possível”, vivido nas realidades cotidianas, a exemplo da Fundadora: “Dela aprendam a única verdadeira ciência, que – como ela escreveu – consiste em nos tornarmos santos”.
Fonte: cgfma.net.org



