Ao longo de todo o ano letivo, o Colégio Salesiano Goiânia desenvolve de forma permanente o Projeto Antibullying, criado para a conscientização, a prevenção e o combate a situações de violência. Unindo a formação acadêmica e espiritual, a iniciativa reúne ações de sensibilização e fortalecimento das relações em sintonia com o Projeto Político Pedagógico Pastoral da instituição. Da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental, as atividades criam oportunidades para que os estudantes reconheçam as diferentes formas de bullying e compreendam seu papel na construção de uma convivência respeitosa.

A orientadora educacional do colégio, Larissa Magalhães, explica que o projeto parte da compreensão de que situações de bullying não devem ser tratadas somente quando já estão instaladas. Por isso, o trabalho acompanha as diferentes etapas do desenvolvimento dos estudantes e utiliza linguagens e estratégias adequadas a cada faixa etária. “O projeto é preventivo e contínuo, porque precisamos formar os nossos alunos para reconhecer atitudes que ferem o outro, compreender as consequências dessas ações e, principalmente, desenvolver uma postura de respeito e cuidado nas relações. A intenção é que eles também saibam que não são apenas vítimas ou autores, mas que podem ser parte da rede de proteção e ajudar a interromper situações de violência.”
Essa abordagem se materializa em atividades realizadas durante o ano, como rodas de conversa, dinâmicas, contação de histórias, momentos de espiritualidade e produções artísticas de sensibilização. Murais e outras ações coletivas também transformam os espaços do colégio em ambientes de reflexão, permitindo que o tema seja retomado em diferentes momentos e não fique restrito a uma atividade pontual. Para Larissa, trabalhar o assunto de maneira transversal amplia a capacidade dos estudantes de identificar comportamentos inadequados e de buscar ajuda quando necessário. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente a perceber quando uma atitude deixa de ser brincadeira, uma fala passa a machucar ou quando alguém está sendo excluído. Esse discernimento é construído no cotidiano, por meio do diálogo, da escuta e de situações concretas que fazem sentido para cada idade.”
Outro aspecto trabalhado pelo projeto é o fortalecimento da rede de apoio entre os próprios estudantes. A proposta busca mostrar que quem presencia uma situação de bullying também possui responsabilidade na construção de um ambiente seguro, seja acolhendo um colega, procurando um adulto de confiança ou ajudando a interromper uma situação de exclusão. Segundo Larissa, a atuação da Orientação Educacional nesse processo permite acompanhar individualmente os envolvidos e articular as diferentes áreas da comunidade educativa sempre que necessário. “Não queremos que o estudante pense que precisa resolver sozinho uma situação de bullying. Ele precisa saber identificar, acolher e procurar ajuda. Ao mesmo tempo, trabalhamos para que nossos estudantes entendam que o silêncio diante de uma situação de violência também pode contribuir para que ela continue. ”
O Projeto Antibullying também reflete a maneira salesiana de compreender a educação. No Sistema Preventivo de Dom Bosco, a presença educativa, o diálogo, a confiança e a construção de vínculos são elementos fundamentais para acompanhar crianças e adolescentes. Segundo Larissa, prevenir a violência significa criar condições para que o respeito seja vivenciado no cotidiano e não apenas apresentado como um conceito. “Quando falamos em prevenção dentro de uma instituição salesiana, falamos também da presença. É estar atento ao que acontece, conhecer os nossos estudantes, perceber mudanças de comportamento e criar uma relação em que eles se sintam seguros para conversar. O Sistema Preventivo nos ensina justamente a educar pela proximidade, pela confiança e pelo vínculo.”
A participação ativa dos estudantes é outro elemento importante que fortalece a proposta no cotidiano escolar, favorecendo o desenvolvimento da empatia e da responsabilidade coletiva. Para a estudante Martina Maria dos Reis (4º ano), abordar o tema de maneira próxima e participativa ajuda a compreender que pequenas atitudes podem produzir impactos significativos nas relações. “Esse assunto é muito importante. O projeto ajudou a gente a entender que não podemos fazer com os outros o que não queremos que façam com a gente, porque isso machuca muito. Todo mundo percebeu que o bullying não é legal.”
A experiência também permite que os estudantes entendam a importância de agir diante de situações de exclusão ou desrespeito, fortalecendo a compreensão de que a convivência escolar é uma responsabilidade compartilhada. “Acho que é um projeto muito bom, porque faz a diferença. Ajuda as pessoas a repensarem mais sobre as atitudes e a perceber melhor algumas situações. As pessoas costumam pensar: ‘Ah, não é comigo. Então, não é da minha conta”, mas ficar em silêncio é uma opção de cada um. A gente precisa ajudar, porque às vezes a pessoa está sozinha e precisa de alguém para escutar ela. Bullying não é uma coisa normal e a gente não deve aceitar esse tipo de tratamento com as pessoas. Acho que é muito, muito importante o colégio continuar com esse projeto, que tem feito a diferença desde o início do ano”, afirma a estudante Gabriela Braga (8º ano).
Ao longo do ano letivo, o Projeto Antibullying mantém o tema presente na rotina do Colégio Salesiano Goiânia e reforça que a prevenção da violência passa pela construção diária de vínculos, pela escuta e pela capacida de de reconhecer o outro em sua dignidade. Larissa reforça que, mais do que combater comportamentos de bullying, a iniciativa busca formar estudantes capazes de participar ativamente de uma comunidade baseada no respeito, na empatia e no cuidado. “É, assim, uma expressão concreta do jeito salesiano de educar: estar presente, acompanhar e criar relações que ajudem cada estudante a crescer em um ambiente no qual se sinta acolhido, respeitado e seguro para ser quem é.”

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