Para Isadora Hellen Cabral, sua passagem pelo Centro Salesiano do Aprendiz (CESAM) de Goiânia começou como uma primeira experiência de trabalho e terminou abrindo caminho para uma escolha de carreira. Aprendiz entre 2016 e 2018, ela atuou como auxiliar administrativo e teve contato com uma área que a levaria à Contabilidade. Hoje, como contadora e empresária, reconhece que parte da profissional que se tornou começou a ser construída naquele período. A história de Isadora ajuda a responder a uma questão muito comum na socioaprendizagem:o que permanece quando essa etapa termina?

No CESAM Goiânia, a proposta é que o jovem não saia apenas com experiência de trabalho, mas com competências, referências e maior segurança para os próximos passos de sua trajetória. Esse compromisso começa logo no início do Programa de Socioaprendizagem, que considera diferentes situações que o aprendiz poderá encontrar no futuro. Para a educadora Isamara Santana, essa característica da qualificação socioprofissional é fundamental para que o participante continue evoluindo mesmo quando já não estiver vinculado ao programa. “É preparar o jovem para a vida como um todo. Não apenas ensinar uma função, mas ajudar a desenvolver responsabilidade, autonomia, postura e confiança para que ele consiga enfrentar os próximos desafios.”
A experiência como aprendiz coloca o jovem diante de situações que vão além da execução de tarefas. Isamara destaca que ao participar das atividades formativas, conviver com diferentes pessoas, receber orientações e enfrentar situações novas, ele começa a construir recursos que poderão ser utilizados em outros ambientes profissionais. “Acredito que essa capacidade de adaptação é parte importante da formação. Responsabilidade, comunicação, trabalho em equipe, organização e autonomia são essenciais. Aprender a ouvir,receber feedback e lidar com situações diferentes também é essencial, porque isso faz parte de qualquer trajetória profissional.”
O amadurecimento pode ser percebido na própria maneira como o jovem passa a se posicionar. A transformação não está somente no domínio de tarefas, mas também na disposição para participar, superar desafios e buscar soluções. Para Isamara, essa evolução se torna especialmente evidente quando o aprendiz passa a reconhecer que também é capaz de conduzir suas próprias decisões. “A mudança na postura é muito perceptível. Muitos chegam mais tímidos e inseguros e, com o tempo, passam a se comunicar melhor, ter mais iniciativa e assumir responsabilidades. Quando o jovem começa a acreditar mais em si mesmo e entende que pode buscar soluções e continuar se desenvolvendo, é um sinal de que ele está pronto para seguir para uma nova etapa.”
Enquanto ex-aprendizes conseguem olhar para trás e reconhecer aquilo que levaram do CESAM Goiânia, quem ainda está no Programa de Socioaprendizagem também já percebe essas transformações acontecerem. É o caso da jovem Elianyelis Reyes, que identifica mudanças na própria maneira de pensar desde que iniciou sua experiência como aprendiz. Para ela, a formação tem ampliado sua disposição para conhecer novas possibilidades e refletir sobre diferentes aspectos da própria vida. “Hoje tenho mais coragem, curiosidade e vontade de aprender. Acredito que antigamente tinha a mente muito fechada para várias coisas da minha vida em geral. O programa me ajudou a ter um pensamento mais pessoal e ter vontade de sempre aprender mais.”
Essa percepção também aparece quando Elianyelis reflete sobre ofuturo. A experiência na qualificação socioprofissional fez com que ela passasse a enxergar a carreira de maneira menos isolada, relacionando o desenvolvimento para o trabalho a aspectos comportamentais e pessoais. “O programa me fez pensar sobre o que eu quero, se isso me faz feliz ou se é só um capricho. Entendi que a vida profissional está totalmente ligada ao social, comportamental e pessoal. Esses pontos precisam estar em equilíbrio para que eles possam fluir e me ajudar a ser melhor naquilo que realmente importa para mim.”
Ainda em processo de formação, ela também reconhece que existem desafios que deseja aprender a enfrentar antes de concluir a trajetória na aprendizagem. Para ela, essa consciência sobre aquilo que ainda precisa ser desenvolvido é parte do próprio amadurecimento profissional e mostra que a preparação para o futuro requer consistência para além de exercer a função que está no contrato de aprendiz. “Está sendo uma experiência única e pretendo aproveitar ao máximo. Ainda quero aprender mais sobre como solucionar problemas do trabalho e também desafios do dia a dia. Sei que é algo que vou levar sempre comigo.”
A aprendizagem também pode funcionar como um espaço de descoberta, onde o jovem tem a oportunidade de identificar interesses, reconhecer habilidades e perceber novas possibilidades. No percurso da ex-aprendiz Isadora, o contato com as atividades administrativas contribuiu diretamente para uma decisão acadêmica e profissional que viria depois. Segundo ela, o período ajudou a transformar uma vivência inicial de trabalho em uma perspectiva concreta de futuro. “O CESAM Goiânia foi, com certeza, um divisor de águas no momento em que precisei decidir qual curso superior seguir. A experiência na área administrativa fez com que eu me identificasse muito com aquele universo e despertou em mim o interesse pela área de Contabilidade.”
Anos depois, Isadora consegue identificar competências daquele período que continuaram presentes em diferentes ambientes por onde passou. Ela reforça que seu desenvolvimento profissional iniciado como aprendiz tornou-se uma base sólida para lidar com os desafios que vieram após o Programa de Socioaprendizagem. “Esses ensinamentos me acompanharam por todos os lugares onde passei e contribuíram para que eu fosse reconhecida pela minha capacidade técnica, responsabilidade, postura e comunicação.”
Os efeitos de uma qualificação socioprofissional de qualidade também são observados por quem acompanha o jovem fora do ambiente institucional. Ivone Martins, mãe do ex-aprendiz Eliseu Rodrigues, recorda a passagem do filho pelo programa como uma etapa importante para seu amadurecimento. Ao olhar para a carreira construída posteriormente, ela relaciona aquela primeira experiência de trabalho a mudanças que alcançaram não apenas a carreira, mas também o desenvolvimento pessoal do filho. “O CESAM Goiânia foi muito importante para o caráter e para a formação do meu filho. Ele se formou em Ciências da Computação e hoje ocupa um cargo de gestão no trabalho. Acredito que essa primeira oportunidade como aprendiz é muito importante para o jovem, principalmente na fase de adolescência, que não é muito fácil.”
A percepção da mãe reforça uma dimensão importante da socioaprendizagem: o jovem não constrói sua trajetória de forma isolada. A segurança para assumir novos desafios também pode ser fortalecida pelas relações estabelecidas durante esse período e pela percepção de que existe uma rede de apoio enquanto ele desenvolve sua autonomia. Segundo Ivone, o modo como Eliseu foi acompanhado durante toda a formação foi fundamental para que ele se tornasse o profissional e cidadão que é hoje. “O programa foi muito gratificante tanto para o meu filho, quanto também para a vida de toda nossa família. Aquele acolhimento foi muito importante para nós.”
Na qualificação socioprofissional do CESAM Goiânia, o objetivo é capacitar o jovem para que ele consiga aproveitar e encerrar esse ciclo preparado para avançar na construção de sua carreira e projeto de vida. Ainda como aprendiz, Elianyelis já identifica conhecimentos que pretende levar para outras situações da vida e reconhece que sua formação precisa ser contínua também após o contrato. “No programa aprendemos nossos direitos, deveres e como nossas ações podem ser relevantes para nosso desenvolvimento. Acredito que tudo o que aprendo estou usando na minha vida hoje e sei que levarei para o futuro.”
Para Isadora, essa continuidade também está relacionada à confiança adquirida ao longo da trajetória na instituição. Quando entrou no Programa de Socioaprendizagem, ainda não tinha certeza sobre o caminho que seguiria quando finalizasse o período como aprendiz. Ao concluí-lo, levou consigo não apenas uma experiência profissional, mas também mais independência e segurança para novos desafios. “Eu era muito insegura e ainda não tinha clareza sobre o meu futuro. O período como aprendiz me ajudou a desenvolver confiança, responsabilidade, independência e uma postura mais madura diante da vida.”
Essa transformação é justamente um dos resultados que o trabalho educativo do CESAM Goiânia busca alcançar. De acordo com Isamara, o encerramento do contrato deve representar uma passagem para uma nova etapa, e não o ponto final do desenvolvimento iniciado no programa. “A socioaprendizagem também significa preparar para o que vem depois dela: novas oportunidades, outras responsabilidades e a possibilidade de cada aprendiz construir a própria trajetória com mais autonomia. Enquanto educadores, nosso desejo é que os jovens levem os aprendizados, os valores e a confiança que desenvolveram durante esse período. Que entendam que o contrato foi apenas o começo, que eles têm capacidade para sonhar e realizar, e que nós estaremos sempre torcendo por cada um deles.” 

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