No dia 14 de janeiro, jovens salesianos que se preparam para a profissão perpétua, realizaram uma visita à Via Christi, em Junín de los Andes, na Argentina. A atividade integrou o percurso formativo e espiritual vivido por eles neste momento decisivo de discernimento vocacional.
A Via Christi é um espaço único de espiritualidade, arte e contemplação, concebido como um caminho de oração ao ar livre. Inspirada na Via-Sacra tradicional, a obra propõe uma releitura contemporânea dos mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, contudo, apresenta também episódios importantes da vida Jesus. O projeto foi idealizado e realizado pelo arquiteto e escultor Alejandro Santana, que utilizou materiais rústicos e elementos da paisagem patagônica para integrar fé, natureza e cultura local. O percurso é composto por estações que convidam à reflexão silenciosa, favorecendo uma experiência profunda de encontro com Deus.
Durante a visita, os jovens puderam conhecer mais de perto as obras do autor, compreendendo o significado simbólico de cada estação e o processo criativo que deu origem ao espaço. A caminhada foi vivida em clima de oração e partilha, permitindo que cada um rezasse a própria história à luz do mistério pascal.
A experiência foi marcada por um forte espírito de recolhimento e comunhão, em sintonia com a espiritualidade salesiana, que valoriza a centralidade de Cristo, a vida comunitária e a disponibilidade generosa ao chamado do Senhor.
Esse momento de profunda espiritualidade fortaleceu o caminho vocacional dos jovens, que seguem sua preparação para a profissão perpétua confiando a Deus sua entrega definitiva, inspirados pelo carisma de Dom Bosco e sob a proteção de Maria Auxiliadora.
S. Fernando Peixoto, salesiano em preparação para os votos perpétuos, compartilha um pouco como foi sua experiência na Via Christi.
O que você sentiu ao percorrer o caminho da Via Christi e contemplar as esculturas?
A sensibilidade do autor é, de fato, um grande dom de Deus. Ao contemplar cada imagem ao longo do caminho, pude me aproximar ainda mais dos mistérios de Cristo, rezando a sua vida, seus atos e ensinamentos. Além disso, senti e vivi a beleza da inculturação da mensagem evangélica proposta pelo autor: imagens que nos revelam os ensinamentos de Jesus, como o amor ao próximo, adaptadas à cultura local.
Houve alguma escultura que mais o tocou? Por quê?
Fui muito marcado e afetado pela escultura “YO SOY”, ou seja, “eu sou”. Nela, Jesus está ao centro e, com a força de sua verdade, que nada mais é do que o amor, são derrubadas todas as formas de manipulação, opressão e ditaduras.
Fez-me refletir que nossa opção é sempre Ele. É sempre Jesus a nossa grande verdade e o nosso grande bem. Ele é o caminho, a verdade e a vida plena.
De que forma essa vivência impactou sua fé, sua oração ou sua maneira de ver o sofrimento e a esperança?
Sabemos que nos adaptamos melhor às situações que podem ser vividas visualmente. Com isso, saliento que perceber a via de Jesus, os momentos marcantes de sua vida, de forma “visível”, nos ajuda a rezar melhor. Por muitas vezes, ao decorrer das estações da vida de Jesus, me coloquei no lugar dos personagens que foram impactados pelo amor e pela acolhida de Jesus. O conjunto das obras é de muita riqueza e beleza e merece, efetivamente, ser visitado e contemplado.


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