Há datas no calendário que transcendem a simples marcação do tempo; elas funcionam como bússolas, apontando para as nossas raízes históricas e, simultaneamente, para a nossa missão no mundo contemporâneo. A convergência entre o Dia do Ex-Aluno, a figura profética de São João Batista e a celebração do Reitor-Mor forma um tripé de profundo significado, tecendo o passado, o presente e o futuro daqueles que partilham do carisma salesiano.
Não se trata de um mero saudosismo institucional, mas de um momento estratégico em que a memória afetiva se encontra com o compromisso social, e a gratidão se transforma em uma força de ação tangível.
Celebrado no dia 24 de junho, São João Batista é uma das figuras mais contundentes e radicais da tradição cristã. Ele é o precursor por excelência, "a voz que clama no deserto", aquele cuja missão pedagógica e espiritual não era brilhar por si mesmo, mas preparar o caminho, confrontar as hipocrisias de sua época e apontar para a verdadeira Luz. Batista pregava a metanoia — uma mudança profunda de mentalidade e de atitude.
Para um ex-aluno formado sob valores cristãos e humanistas, a inspiração do Batista é de uma atualidade gritante. Vivemos em uma sociedade que frequentemente se assemelha a um deserto de sentido, marcada por polarizações extremas, utilitarismo e superficialidade nas relações. Inspirar-se em São João Batista significa ter a coragem da verdade, a firmeza de caráter para não se corromper e a humildade de reconhecer que somos instrumentos de um propósito maior.
O ex-aluno é chamado a ser esse "precursor" onde quer que esteja inserido: na liderança de uma empresa, no chão de uma fábrica, na sala de aula ou no seio de sua família. Ele não é treinado para apenas "sobreviver" no mundo, mas para atuar como um fermento de transformação, alguém que, através de atitudes éticas, defesa dos mais vulneráveis e retidão profissional, prepara o terreno para a justiça e para a paz.
O Dia do Ex-Aluno não é apenas uma data para folhear velhos álbuns de formatura, recontar anedotas juvenis ou sentir saudade dos pátios de Valdocco. É, antes de tudo, uma rigorosa prestação de contas amorosa à vida e à sociedade.
Quando São João Bosco cunhou a máxima de formar "bons cristãos e honestos cidadãos", ele projetava o impacto de seu Sistema Preventivo muito além das arcadas do oratório. Ele sabia que a verdadeira eficácia da tríade salesiana — Razão, Religião e Amorevolezza (Amabilidade) — só seria comprovada na vida adulta de seus jovens. O ex-aluno é a prova viva de que a educação alicerçada no afeto e na responsabilidade funciona. É o carisma caminhando com as próprias pernas, tomando decisões complexas, pagando impostos, educando a próxima geração e votando com consciência.
Reunir-se para celebrar essa identidade é renovar um pacto cívico e espiritual. É olhar para trás para honrar o esforço de mestres, padres, irmãos e educadores que dedicaram suas vidas à juventude, e olhar para frente para reafirmar o compromisso de fazer a diferença. Uma escola salesiana não é uma fábrica de diplomas, mas uma forja de caráter, e o Dia do Ex-Aluno é o momento de aferir se o metal dessa forja continua resistindo aos testes do tempo.
Mas onde a vastidão da rede de ex-alunos e a figura histórica de São João Batista se encontram com a liderança do Reitor-Mor? A resposta está na raiz mais íntima da história de Dom Bosco e na cultura da gratidão que ele fomentou.
O nome de batismo do fundador dos salesianos era João (Giovanni Melchior Bosco). Historicamente, no dia 24 de junho, festa de São João Batista, seus meninos aproveitavam a data do seu onomástico (o dia do santo que lhe dava o nome) para expressar seu amor. Foi exatamente num 24 de junho, no ano de 1870, que um grupo de antigos alunos, liderados por Carlos Gastini, bateu à porta de Dom Bosco. Eles já eram homens feitos, trabalhadores, e trouxeram de presente um singelo conjunto de xícaras de café para o seu antigo mestre. Naquele gesto simples e espontâneo de retorno ao lar, fundava-se, na prática, o movimento mundial dos Ex-Alunos.
A celebração do Reitor-Mor — que é o sucessor direto de Dom Bosco nos dias de hoje — é a continuidade ininterrupta dessa "Festa da Gratidão". Celebrar o Reitor-Mor não é um ato de culto à personalidade, mas o reconhecimento de que o sonho nascido no século XIX não ficou paralisado na história. Ele pulsa, respira e se adapta aos novos tempos. O Reitor-Mor é o ponto de unidade, o "Pai" que garante que um ex-aluno no Brasil, na Índia ou na Itália compartilhe da mesma essência educacional. Ele nos lembra de que pertencemos a uma família global.
A gratidão verdadeira nunca é passiva; ela gera pertencimento, e o pertencimento exige responsabilidade ativa.
Celebrar o Dia do Ex-Aluno à luz da coragem de São João Batista e em comunhão mundial com o Reitor-Mor é compreender que a educação recebida é um talento que não pode ser enterrado. Exige a audácia de denunciar as injustiças com a voz firme de um profeta, exige preservar o coração grato dos primeiros jovens trabalhadores de Turim, e exige manter a visão ampla e acolhedora que a Família Salesiana nos convida a ter.
No fim das contas, a verdadeira festa acontece quando cada ex-aluno acorda e compreende que as lições do passado não são apenas memórias, mas as ferramentas mais afiadas e urgentes que possuímos para construir o futuro.
FELIZ DIA MUNDIAL DO EX-ALUNO SALESIANO! VIVA DOM BOSCO!


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